Refutação:
Rev. Ari
Novamente aqui você faz a famosa confusão entre Onisciência, Presciência, Predestinação, e Livre Arbítrio.
A - Apenas para que você entenda o significado destes termos: 2 - A
presciência divina, presume-se, permite que Deus já saiba não só da decisão, mas também do fim que nos aguarda como conseqüência de nossos atos "voluntários". Tudo, a princípio, parece ocorrer por necessidade, uma vez que, não só as causas, mas também todos os efeitos já são do conhecimento de Deus. Fonte: (
http://www.ateufeliz.hpg.com.br/LivreArbitrioEPrescienciaDivina.htm)
Sendo assim, sua afirmação: “Omnisciência e livre arbítrio são incompatíveis. A omnisciência cristaliza o futuro”, está completamente desprovida de qualquer sentido. Observe o conceito de Onisciência acima e veja que este termo trata apenas da capacidade que Deus tem de saber tudo. Nada tem a ver com “cristalizar o futuro” posto que este “Saber” de Deus não tem como objetivo estabelecer os propósitos de Deus, ou impor limites para os homens, nem estabelecer-lhes uma localização no tempo e espaço, senão que demonstra que Deus tem em Si todo o conhecimento disponível sobre tudo em todos os tempos, e também sobre a todos.
Para que você possa tratar este assunto como convém será necessário primeiro você estudar um pouco sobre Presciência divina, Predestinação, e Livre Arbítrio.
B - Como foi demonstrado anteriormente, Deus não criou o Universo no atual estado, mas o criou em estado de Santidade e Perfeição. Não tivesse Adão e Eva caido em pecado, a humanidade não estaria sofrendo atualmente.
C - Deus conhece o nosso estado. Ele não espera por “surpresas”. E nem tão pouco se trata disto. A vontade de Deus é que ninguém se perca. Antes o contrário. Deus quer seriamente que creiamos em Jesus como Senhor e Salvador e tenhamos a vida eterna. Assim como a queda de Adão nos condenou a morte eterna, assim também o sacrifício de Cristo Jesus na cruz nos conduz a uma eterna e bem aventurada vida junto a Deus.
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Giovane:
(4º artigo). Deus não perguntou se queríamos nascer. O livre arbítrio, ainda que existisse, já estaria limitado pelas condições em que nascemos: um corpo limitado em sua capacidade e duração; uma mente e uma percepção das coisas limitadas; um local de nascimento, cultura, características físicas e uma família que não escolhemos; uma educação e as circunstâncias de nossa infância, que definem aquilo que somos como adultos.Quando nos damos conta das coisas, já estamos numa arena, obrigados a participar de um jogo no qual não pedimos para entrar, do qual não podemos sair, com regras impostas, e que pode resultar num castigo eterno se falharmos.
(5º artigo). Deus só nos deu 2 opções: obedecer s suas regras arbitrárias ou sofrer eternamente. Não são regras “naturais”, como dizem os crentes. Não são “provas do amor de Deus”. São imposições. Não somos obrigados a amar a Deus ou gostar das opções. Não somos nós que escolhemos, “de livre e espontânea vontade”, renunciar ao “amor” de Deus e ir para o inferno. Deveríamos ter o direito de escolher nossas próprias opções, diferentes das duas que Deus nos impõe, sem sermos castigados, inclusive a de nem nascer.
Aí sim, poderíamos falar de livre arbítrio.Se Deus nos criou perfeitos, então não poderíamos ter pecado, com ou sem livre arbítrio, ou não seríamos perfeitos. Seres perfeitos não decidem se tornar imperfeitos. Se Deus decidiu nos criar imperfeitos, por alguma razão, então não podemos ser condenados por falhas que não escolhemos ter. Um ente perfeito só deveria criar a perfeição, mas:“Eu formo a luz, e crio as trevas; eu faço a paz, e crio o mal; eu sou o Senhor, que faço todas estas coisas.” (Isaías 45:7)“Não é da boca do Altíssimo que saem os males e a felicidade?” (Lam. 3:38)“Dei-lhes então estatutos que não eram bons e normas pelas quais não alcançariam a vida. Contaminei-os com as suas oferendas…a fim de confundí-los.” (Ezeq. 20:25-26)
Ass. Giovane
Finalizando:
Rev. Ari
Parabéns Giovane. Entre todas as suas contestações os artigos de nº 4 e 5 são os primeiros que você realmente aborda o assunto como de fato ele é. Aqui você quase acertou em cheio, pois realmente Livre Arbítrio para coisas espirituais não existe.
Quanto a sua afirmação de que Deus não perguntou se queríamos nascer, a mesma não faz sentido. Nossos pais optaram por ter filhos. Isto não é culpa de Deus. Certamente teus pais sabiam do estado de perdição do mundo quando decidiram ter você. Qualquer casal pode simplesmente decidir não ter filhos. Você mesmo pode optar por não ter. Você sabe que se tiverem filhos eles também herdarão as conseqüências do pecado de Adão.
Felizmente Deus nos ama de tal maneira que providenciou uma solução para que pudéssemos ter filhos, e ao mesmo tempo não temer que eles se percam eternamente, é o Sacramento do Batismo, onde num ato sublime de misericórdia, Deus recebe a criança em sua Graça pelo lavar regenerador do Santo Batismo, livrando-a completamente do pecado original.
Por favor, leia atentamente o texto abaixo e você compreenderá que definitivamente não temos Livre Arbítrio em questões espirituais, e conseqüentemente o homem não pode escolher ser salvo, como também não tem como escolher não pecar. A obra da Redenção, a Salvação oferecida em Cristo Jesus é puramente obra de Deus, e não do homem.
Do Livre Arbítrio:
O Livre Arbítrio encontra-se a vontade do homem em quatro estados diferentes, a saber:1. Antes da queda;2. Depois da queda;3. Depois da regeneração;4. Depois da ressurreição da carne.
Para preservar a objetividade trataremos aqui apenas no que diz respeito ao homem antes e após a queda.
O Homem, e o Livre Arbítrio no seu 1º Estado.
Vamos fatos: A Bíblia ensina que no paraíso, antes do pecado, o homem era livre, tinha tudo e podia todas as coisas, ou seja, este é o 1º Estado, o original: o homem fazia uso de 100% de seu Livre Arbítrio. Sabemos que no paraíso o Homem foi criado a Imagem e Semelhança de Deus. Estava espiritualmente vivo. Deus falava ao Homem pessoalmente. O Homem podia decidir-se sobre todas as coisas. Podia decidir entre obedecer a Deus, ou dar ouvidos ao pecado. Decidiu pelo pecado.
As conseqüências desta decisão levaram o Homem:
(1) A Queda. Passou de uma natureza Pura, e Santa, para uma natureza pecaminosa,e completamente perdida.
(2) Perda da Imago Dei: Completa perda do seu estado original, perda da Imagem de Deus.
(3) Morte espiritual: (completo afastamento de Deus). (Gn 3.23/Ef 2.1).Lembrem-se, nós, todos os que nascemos a partir de Adão, somos resultado da natureza corrupta de Adão, e não da Imagem Perfeita de Deus. Ora, com isto concluímos que não só a Imagem de Deus, a natureza espiritual, mas também o livre arbítrio se perdeu.
Veremos agora o Homem, e o Livre Arbítrio no seu 2º Estado.
Após a queda o Homem perde o Livre Arbítrio, e a Imagem e Semelhança de Deus.O Homem, agora NATURAL, anda errante em um mundo perdido. Não cego, mas morto espiritualmente. Concebem seus próprios deuses segundo sua imagem e semelhança. É incapaz de decidir-se por coisas espirituais 1Co 2.14 . É inimigo de Deus, e jamais decidirá por fazer a vontade de Deus. Quanto ao Livre Arbítrio, o máximo que consegue é, com dificuldade, decidir-se sobre coisas naturais.
"Cremos, ensinamos e confessamos, outrossim, que a vontade irregenerada do homem não só está alheada de Deus, mas também se tornou inimiga de Deus, de modo que só deseja e quer o mal e o que se opõe a Deus, conforme está escrito: «Porque é mau o desígnio íntimo do homem desde a sua mocidade». Da mesma forma: Por isso o pendor da carne é inimizade contra Deus, pois não está sujeito à lei de Deus, nem mesmo pode estar. Sim, tão pouco como um corpo morto pode vivificar a si mesmo para a vida corpórea, terrestre, tão pouco o homem, que pelo pecado está espiritualmente morto, pode erguer-se a si mesmo para a vida espiritual, conforme está escrito: «E estando nós mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente com Cristo “Razão por que não somos por nós mesmos - capazes de pensar alguma coisa, como se partisse de nós; pelo contrário, a nossa suficiência vem de Deus”. 2 Co 3”. (Artigo 2º - Do Livre Arbítrio Fórmula de Concórdia Livro “Cremos por isso também falamos” de Otto O. Goerl Ed. Concórdia S. A. Porto Alegre – RS. Ano 1977).
Conclusão:
Quanto ao Livre Arbítrio ‘Espiritual’, concluímos que o Homem Natural não o tem realmente. Não pode, por sua livre vontade, aceitar Jesus. Mesmo em se tratando de coisas naturais não o pode usar como deseja. Diante disto resta-nos a pergunta:
Então como alguém pode tornar-se cristão?
Bem, o fato é que ninguém converte a si próprio. Mas quando a Palavra de Deus é anunciada, os ouvintes tornam-se alvos da ação do Espírito Santo. Este por sua vez, os convence do pecado, da justiça e do juízo de Deus, amolece o seu coração de pedra, e Graciosamente lhes oferece a oportunidade de arrependerem-se, e crerem em Jesus como Senhor e Salvador.
Observe que não há qualquer participação do homem. É puramente a Obra de Deus acontecendo. Mesmo o ato do arrependimento não é obra do homem, mas sim de um Deus maravilhoso que quer nos salvar.Entretanto, se por um lado a salvação é obra exclusiva de Deus, por outro, a perdição é puramente obra do homem. Ou seja, o homem, após convencido pelo Espírito Santo, pode decidir-se por não querer estar com Cristo. É salvo somente por Deus, mas se perde por culpa própria.
Na Glória Eterna será o momento em que o homem retornará a usar 100% do seu livre arbítrio. Será um momento lindo, quando juntos estivermos na Glória de Deus. Não como Luteranos, Batistas, Católicos, Assembleianos...etc.., mas como Cristãos, Ovelhas do mesmo Pastor que é Jesus.
Deus te abençoe.
Rev. Ari Fialho Júnior
Teólogo Luterano
Soli Deo Gloria!